Por: Cláudio H.G. Corgozinho
Muitas pessoas entendem de forma bastante equivocada o conceito de sorte. Isso se deva, talvez, a própria definição que nossos dicionários trazem sobre o termo: “Força que determina ou regula tudo quanto ocorre, e cuja causa se atribui ao acaso das circunstâncias ou a uma suposta predestinação: São imprevisíveis os caprichos da sorte.”. Outro léxico bastante conceituado, afirma que sorte é “Fado, destino. 2. Acaso, risco. 3. Quinhão que tocou em partilha. 4. Estado de alguém em relação à riqueza. 5. Bilhete ou outra coisa premiada em loteria.”.
É preciso deixar claro que o evento sorte, assim entendido como acontecimento meramente aleatório, definitivamente, não se aplica ao mundo dos negócios. Tudo aquilo que dependente de fatores incertos, sujeitos ao acaso; simplesmente casual, fortuito ou acidental são raríssimos de acontecer, seja qual for a empresa ou seu tamanho.
Na atual conjuntura globalmente competitiva, aquele que espera um dia “dar sorte” e mudar de vida”, arrisca-se a chegar aos 70 anos sem aposentadoria e muito triste com seu aparente “azar”.
É muito importante que o profissional esteja hoje atento a todas as mudanças que ocorrem em velocidade cada vez maior, independentemente do ramo de atuação.
O conceito que ora analisamos deve ser imediatamente repensado, sob pena de se continuar a culpar eventos que, em nada podem ser responsabilizados pelo não aproveitamento de oportunidades que abundantemente são oferecidas diariamente.
Portanto, que tal começar a encarar a sorte de uma maneira diferente? A começar por um novo significado: a verdadeira sorte ocorre quando, qualificação (ou preparação) encontra oportunidade, existe disponibilidade para aproveitá-la e é viável.
Pode-se estar tremendamente qualificado para algo, se a oportunidade para exercer a qualificação não aparece, se o mercado não busca pessoas preparadas com determinado tipo de conhecimento, não se pode dizer que essas pessoas sejam “sem sorte”.
O mesmo acontece quando não se está preparado e uma ótima oportunidade bate à nossa porta. Se você não estiver pronto para aproveitá-la, seja por que motivo for, você chama isso de “não ter sorte”?
Pode ser ainda que se esteja qualificado e a oportunidade apareça, mas, se não estiver disponível para aproveitá-la, de nada adiantará. É o caso, por exemplo, de aparecer um trabalho extra que paga muito bem, mas, que ocorra no mesmo sábado de uma viagem que já está programada há 6 meses. “Puxa, que falta de Sorte!”.
Por fim, ainda que você esteja qualificado, uma grande oportunidade apareça e exista a disponibilidade para aproveitá-la, pode se que não seja viável no momento. É o caso, por exemplo, de um sujeito que é convidado para exercer um cargo de executivo em uma grande empresa que paga o dobro que ele recebe atualmente. Ocorre que ele terá que mudar com urgência para o Japão. Quanto à mudança, tudo bem, porque ele domina o japonês com fluência. Acontece que sua mãe está gravemente enferma e ele decide que não a deixará sozinha até que melhore. A oportunidade simplesmente não era viável no momento.
Portanto, quando encaramos pela ótica profissional, a sorte não é a simples ocorrência positiva (ou negativa) de um evento aleatório. Como vimos, quando uma oportunidade aparece (o que muitos chamam de “pura sorte”), é necessário que concorram uma série de fatores decisivos (em nada aleatórios) para que ela possa ser “desfrutada”.
Pense nisso.
